A habituação ocorreu enquanto os participantes imaginaram comer 30 M&M’s ou cubos de queijo cheddar, um por vez. Eles tinham de observar fotos de cada M&M por três segundos, e cada cubo de queijo por cinco segundo.
O efeito habituação não ocorreu quando as pessoas se imaginavam comendo apenas três M&M’s ou cubos de queijo, e nem quando elas se imaginavam movendo os M&M’s, um por vez, para dentro de uma tigela, ou fazendo outras tarefas mentais, como inserir moedas numa lavadora automática.
O efeito exigiu grandes quantidades de alimentação mental, e foi específico a cada comida: as pessoas que se imaginaram comendo chocolate não perderam seu desejo por queijo.
A alimentação imaginária não fez as pessoas se sentirem mais cheias, e não alterou sua opinião geral sobre M&M’s ou cubos de queijo cheddar. Elas apenas não tinham tanta vontade de comer aqueles produtos naquele momento.
“Nosso desejo por comida tem dois componentes: o gostar e o querer”, diz Morewedge. “Nós podemos gostar muito de sorvete, mas não querer comê-lo no desjejum. O consumo imaginado não afetou o quanto os participantes gostavam de M&M’s, mas reduziu a quantidade que eles queriam comer. A habituação é geralmente considerada como um processo motivacional”.
A importância da mente sobre o estômago foi demonstrada em 1998, num arrebatador experimento com dois homens cujas funções mentais eram normais --exceto por uma grave forma de amnésia. Eles foram incapazes de se lembrar de um acontecimento por mais de um minuto. Seus hábitos alimentares foram estudados por diversos dias pelos pesquisadores, conduzidos por Paul Rozin, da Universidade da Pensilvânia, que criou um horário de almoço bastante prolongado.
Depois que cada homem almoçava, a comida era retirada da mesa. Alguns minutos depois, um pesquisador aparecia com uma refeição idêntica e anunciava, “Aqui está o almoço”. Os homens sempre comiam sem reclamações de que estariam satisfeitos. Então, alguns minutos depois que a comida era retirada, um terceiro almoço era servido, e os homens também o comiam normalmente.
Na verdade, um dos homens se levantou após seu terceiro almoço do dia e anunciou que iria “sair para caminhar e procurar algum lugar para o almoço”. Quando questionado o que ele planejava comer, ele respondeu, “bife à parmegiana” -- a mesma comida que havia acabado de almoçar.
Quando os pesquisadores tentaram o mesmo experimento num grupo de controle com memórias normais, todas as pessoas recusaram o segundo almoço. Diferente dos homens com amnésia, eles se sentiram menos famintos após comer, mas a sensação aparentemente não vinha apenas de seus estômagos, conforme os pesquisadores concluíram.
“Fatores não-fisiológicos parecem ser de grande importância no início e no cessar da alimentação normal”, escreveram Rozin e seus colegas em “Psychological Science”. “Os resultados sugerem que um dos principais fatores não-fisiológicos é a memória do que foi recentemente ingerido”.


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